segunda-feira, 27 de junho de 2011

FILOSOFIA ESPÍRITA PARA CRIANÇAS

Perguntas que incentivam diálogos
por Rita Foelker

Questões bem formuladas podem ser ótimos pontos de partida para a investigação filosófica

Para desenvolver o tema deste texto, fizemos um conto ilustrativo para nos ensinar como uma pergunta pode, ou não, nos levar á reflexão.Acompanhe, então, No ônibus:
Amanda pagou ao motorista o valor da passagem.
Sua bolsa de viagem pesava no ombro e ela se dirigia ao fundo do veículo, guardando o troco na carteira, quando viu uma nota de R$10,00 caída no chão.Seus olhos tinham tido poucas chances na vida de encontrar dinheiro sem dono... Sem dono? Será que a nota era de alguém?
Ao sentar-se alguns bancos atrás, verificou que uma moça loura, com a blusa amarrada na cintura, era quem ocupava o lugar mais próximo do dinheiro e, observando melhor, viu também uma nota de R$5,00.
Puxa! Quinze reais valiam um passeio ao shopping, com direito a cinema. E era quase metade que ela recebia mensalmente de seus pais...
Mas um pensamento lhe ocorreu: o dinheiro tinha caído do bolso da blusa daquela moça, que conversava animadamente com a colega ao lado, não tinha percebido.
Amanda quis pegar o dinheiro e ficar com ele, porém sua consciência não deixou.
Levantou-se, foi até lá, apanhou as notas e cutucou a moça:
_Olha, acho que caiu da sua blusa...
A moça pegou o dinheiro sem se virar para ver Amanda, sem parar de falar com a sua colega.
"Mas que sem-educação"! Nem agradeceu!"
Amanda voltou aborrecida para seu banco.
"Devia ter pegado pra mim!"
Depois, mais calma, começou a pensar:
"Se eu fiz o que minha consciência mandou, devia estar feliz comigo.Mas, em vez disso, estou aqui brava com a moça!!..."

COMO PERGUNTAR?
Existem dois tipos básicos de perguntas: as fechadas e as abertas.
FECHADAS são aquelas com uma única resposta certa, que visam geralmente conferir o conteúdo assimilado ou obter uma informação. Um exemplo de pergunta fechada sobre o conto acima, é: que importância, em dinheiro, Amanda achou?
ABERTAS são as que possuem muitas respostas corretas e estimulariam a pensar, como: Amanda podia ter ficado com o dinheiro, ou fez bem em devolver? Afinal, o que traz mais satisfação: agir segundo a consciência ou contra ela?
A pergunta aberta faz raciocinar e motiva o diálogo. "Seu objetivo não é uma resposta em si, mas a possibilidade que ela abre para a curiosidade, para novas idéias, para a reestruturação do pensamento e para as trocas de opinião. Enquanto as respostas para as perguntas abertas vão sendo encontradas, o assunto ganha novas perspectivas e cada aluno evolui em sua compreensão. O pensamento se organiza e há oportunidade de se expor novas questões.*
Escrevem Splitter e Sharp, no livro UMA NOVA EDUCAÇÃO: a comunidade de investigação na sala de aula."Nossas experiências em sala de aula e em educação de professores nos ensinam que dentre as muitas habilidades requeridas para construir e sustentar uma comunidade de investigação, aquelas associadas com formular, fazer e responder perguntas, tem um lugar especial. Na verdade, a reconstrução da sala de aula como uma comunidade de investigação dialógica depende muito da natureza e da qualidade das perguntas levantadas por professores e alunos."
A expressão comunidade de investigação refere-se a um grupo de pessoas que se dispõe a filosofar. " O resultado de uma atividade investigativa depende, não somente, de fazer as perguntas certas, mas, no caso da sala de aula, da disposição do professor em aceitar a validade das diversas opiniões e em agir também como investigador: A criação de um ambiente que encoraje o questionamento, que respeite os diversos pontos de vista, mesmo os da minoria, favorece a naturalidade e espontaneidade das trocas e estimula a pesquisa sobre os assuntos tratados, na medida em que todos sentem que podem contribuir para a formação de um entendimento mais sólido e profundo."*

* Trechos de A ARTE DE PERGUNTAR, texto integrante do site do Projeto FILOSOFIA ESPÍRITA PARA CRIANÇAS: www.edicoesgil.com.br/educador/filosofia/fiolosofia_principal.htm/


quarta-feira, 25 de maio de 2011

MEDITAÇÃO DA AMIZADE COM O HOMEM VELHO

" A própria destruição,que aos homens parece o termo final de todas as coisas,é apenas um meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito, visto que tudo morre para renascer e nada sofre aniquilamento."
Santo Agostinho
O Evangelho Segundo Espiritismo
Capítulo III - Item 19

Vamos fazer uma viagem ao encontro de nossa sombra.Antes,porém,recordemos alguns conceitos.
A eficácia do labor de renovação depende essencialmente da capacidade do encontro harmônico com as mazelas que,habitualmente,desejamos ignorar.
Aceitar-se é ter a coragem de olhar para si mesmo,criar uma "autocartase",ser em si mesmo um espelho para analisar as suas reações e proceder uma busca "terapêutica" para dignificação.
Aceitação é diferente de conformismo com o mal.
Aceitar-se é admitir a si mesmo suas limitações com finalidades de estudá-las para transformá-las.
Que haja muito discernimento nesses conceitos: aceitar imperfeições é muito diferente de aceitar erros.
A inimizade com o homem velho é extremamente prejudicial ao desenvolvimento dos valores divinos, por que gastamos toda energia para combater-nos e não para talhar virtudes e conquistar nossa sombra.

Há muitos espíritas que seguem normas lidas aqui e acolá,quando o importante é sermos as normas em nós próprios,descobri-las a partir de nosso mundo interior e inigualável.Livros e palestras,orientações e vivências dos outros são valorosas referências para ponto de partida de uma longa viagem que terá que ser trilhada com nossos próprios pés.
Nada sofre destruição e aniquilamento,tudo é transformado e aperfeiçoado em a natureza.
Não se mata o que fomos, conquistamos.
Não se extermina com o passado,harmonizamos.
O auto-amor é a medida moral de paz conosco mesmo em favor dos objetivos maiores que almejamos.Não há liberdade interior sem a presença do amor.

Retirado do Livro:Reforma Íntima Sem Martírios
Capítulo 13 - Ermance Dufaux