"Ora , essas almas que povoam o espaço são precisamente o que se chamam Espíritos; os Espíritos não são,pois,outra coisa sendo as almas dos homens despojadas do seu envoltório corporal " . ( O Livro dos Médiuns - Primeira Parte - Cap. 1 - item 2 - edição IDE)
Não sendo mais do que homens desencarnados, os Espíritos, a princípio,não possuem uma sabedoria maior dos que ainda mourejam no corpo físico. Afirmaríamos mesmo que a maioria dos Espíritos vinculados á psicos fera do planeta encontra-se ainda no estágio primário de evolução intelectual e moral.
A desencarnação não confere a ninguém a auréola de santidade sem esforço ou conhecimento que não se adquiriu à custa de sacrifícios.
Em desencarnando, nem todo Espírito entra ,por assim dizer, na posse do patrimônio do passado", para a maioria dos Espíritos, apresenta-se medíocre em matéria de conquistas espirituais. Muitos não tem a lembrar senão dissabores e grandes equívocos. Poucos são aqueles cujas experiências pretéritas, quando retomadas pela memória, acrescentam ao "presente" alguma coisa de útil.
Não é porque o Espírito já viveu muitas existências na Terra que ele necessariamente seja versado em diversos temas da vida. Tudo é uma questão de bom senso. O que determina o aproveitamento do Espírito nas experiências vividas é o seu empenho em assimilar as lições. Existem Espíritos que, considerados mais novos, superam os que estagiam há mais tempo nas faixas da razão.
Para que o Espírito retome, de forma consciente e produtiva,o chamado "patrimônio do passado", arquivado em seu subconsciente,é indispensável que ele possua discernimento para saber o que fazer de si mesmo e um certo grau de maturidade espiritual.
Estas considerações vem a propósito da confiança cega que os médiuns,ás vezes em interesse próprio,costumam depositar nos Espíritos.
Os Espíritos carecem de ser ouvidos sempre com cautela, Kardec, no serviço da Codificação procurou ouvi-los reiteradas vezes através de médiuns diversos, em diferentes ocasiões.
Existem Espíritos que, embora sinceros nas opiniões que externam, agem de forma equivocada; outros, intitulados pseudossábios,falam do que conhecem superficialmente como se fossem grandes mestres no assunto.
Atualmente,existem casas espíritas que se dedicam a causa da cura, envolvendo cirurgias e receituários. Ora, nem todo Espírito - e nem todo médium - tem a obrigação de efetuar diagnósticos quando consultado a respeito. O médium espírita que é apto para a produção de um tipo de comunicado talvez não o seja para outro. Aqui entra em ação o personalismo: o médium, não desejando confessar as suas limitações,envereda por um caminho perigoso, colocando em risco,de forma inescrupulosa, a vida de muita gente.
O médium quando genuinamente "recitista" - e o temos em número bastante reduzido - deve estudar e pelo menos ter uma noção de para que serve esse ou aquele medicamento que prescreve.Mesmo quando se trata de receituário homeopático,o médium tem o dever de esclarecer-se para cooperar com o Espírito,não deixando à conta dele toda a responsabilidade.
Os médiuns não podem desconsiderar a inspiração,mas também não devem descuidar-se da vigilância.
Em outras áreas da mediunidade,os cuidados carecem de ser os mesmos, tendo-se sempre em mente que entre transmissor e receptor deve haver uma perfeita sintonia para que a mensagem não sofra distorções prejudiciais.
Levemos ainda em consideração que, com o passar do tempo, tanto o médium quanto o Espírito que habitualmente se comunica por seu intermédio podem modificar o seu ponto de vista sobre essa ou aquela questão. Isto é perfeitamente compreensível,de vez que a cada dia as nossas ideias vislumbram horizontes mais amplos. Médium ou Espírito que admite mudanças para melhor,confessando humildemente seus enganos,revela-se muito mais confiável do que aquele que se julga infalível.
(Vídeo Explicativo)
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